Caixa de texto: CAA = OLHÃO
Caixa de texto: AVES
Caixa de texto: UTILIDADES

MANUAL Para Iniciados

Local da Criação

O primeiro passo que deve ser dado quando se pretende criar canários é a escolha de um local adequado. O ambiente que mantemos os canários influencia directamente os resultados reprodutivos. São comuns os casos de pessoas que mantêm seus pássaros em ambientes pequenos, escuros e mal iluminados, sendo que estes factores facilmente determinam um completo fracasso na criação. Ao se iniciar uma criação de canários, o ideal é que se construa um local específico para tal finalidade.

O local de criação deverá ser construído voltado para o nascente, permitindo a entrada dos benéficos raios solares da manhã e evitando o
calor da tarde. O cómodo deverá ter uma iluminação adequada, fornecida por grandes janelas situadas estrategicamente. Estas janelas deverão ser revestidas por telas finas, tipo mosquiteiro, que impedirão a entrada de insectos prejudiciais à criação e transmissores de doenças. Pelo mesmo motivo, deve-se vedar bem as frinchas, evitando a entrada de ratos e outros predadores. As paredes e o piso devem ser o mais liso possível, para sua fácil limpeza e assim evitar a acumulação de lixo e a proliferação de microrganismos. Importante ainda lembrar que o local de criação deverá ser bem arejado, a renovação do ar é importantíssima. Em condições normais, os canários não precisam de luz ou calor artificial, mas em alguns casos, talvez se tenha de recorrer a isso.

Alguns criadores utilizam-se termóstatos para regular o calor (regiões muito frias) e ou de luzes (locais escuros), que se acendem e apagam automaticamente em horários pré estabelecidos. A grande maioria das aves pode suportar temperaturas entre os 5º-35º.

Atenção porque não se deve usar a luz artificial em substituição da luz natural a tempo inteiro. A luz artificial deverá ser usada somente para prolongar a duração da luz diurna e não para a
substituir. É pelo contacto com a luz solar que a pele sintetiza algumas vitaminas e outras substâncias necessárias ao bom estado da plumagem e do organismo em geral. Em conclusão o local de criação ideal, será um sitio amplo, sossegado, com muita luz solar, sem correntes de ar e onde a temperatura não sofra grandes variações ao longo do dia.

 

 

 

 

Acessórios e utencílios

São muitos e variados os acessórios utensílios destinados a equipar as gaiolas de criação que podem ser encontrados no comércio. Deve-se evitar sobrecarregar as gaiolas com equipamentos muitas vezes supérfluos e que acabam dificultando a manutenção da higiene.

Os melhores e mais práticos são os comedouros e bebedouros plásticos em forma de concha ou meia lua, usados no exterior da gaiola. Esses recipientes devem ser mantidos rigorosamente limpos, não admitindo-se que os bebedouros criem limo (algas) e os comedouros acumulem pó. Além da limpeza diária dos bebedouros, com pincel, escova e esponja, pelo menos uma vez por semana os
mesmos devem ser mergulhados por algumas horas em solução de cloro (Quiboa, Cândida, etc...) e depois enxaguados em água corrente.    Os comedouros destinados às sementes devem ser constantemente esvaziados para evitar o acúmulo de pó e podem ser trocadas para lavagem em espaços de tempos maiores.

   Os canários precisam tomar banho frequentes e para isso pode-se adquirir banheiras plásticas de tamanho grande, mas que permita a sua passagem pelas portas das gaiolas.

   Durante a época de criação deve-se fornecer aos casais, ninhos adequados, sendo muito usados os de plástico que são duráveis e de fácil
higienização. Esses ninhos devem receber forros de flanela, corda ou feltro, comumente encontrados em lojas especializadas.

   É boa prática trocar os ninhos quando os filhotes são anilhados e sempre usar ninhos limpos a cada nova ninhada.

   Após a abertura dos olhos dos filhotes não convém manusear os ninhos, para evitar que os mesmos o abandonem prematuramente, causando sérios inconvenientes
.

 

 

 

 

Acasalamento

A época de acasalamento dos canários começa na primavera. “O dia do Pai (19 de Março) é o dia do acasalamento dos canários". Esta é uma frase tradicional herdada pelos canaricultores, que foi válida durante muitas gerações. Contudo, hoje em dia, muitos criadores começam a incubação mais cedo, porque a iluminação e o aquecimento permitem que ela seja antecipada para o período do Inverno.
Na primavera, (por volta do final de Março), a fêmea torna-se inquieta, esta constantemente em movimento e abana as asas. O macho canta prolongadamente.
Pelo menos um mês antes do acasalamento, os machos devem ser colocados
nas gaiolas de criação, as fêmeas permanecendo nas voadeiras para continuar os exercícios. Chegada a época do acasalamento, as fêmeas seleccionadas serão colocadas na mesma gaiola do macho correspondente, separadas por uma grade.
Normalmente, numa semana o macho estará alimentar a fêmea através da grade e cantar. A fêmea, chamando o macho, carregará pedaços de fios, previamente colocados à sua disposição, para a construção do ninho.

Esta é uma excelente indicação de que se aceitaram e estão prontos para procriar. A cloaca do macho ficará entumecida como um espigão, e a fêmea se assemelhará à extremidade bem inchada de charuto. Chegou a hora de juntar os dois.

 

 

 

 

Postura

Logo que a fêmea acaba de construir o ninho, irá colocar o primeiro ovo, isto acontece geralmente nas primeiras horas da manha. É importante que esteja atento à postura deste primeiro ovo, pois irá ter de intervir, pela seguinte razão: os parentes dos canários, que vivem em liberdade apenas começam a chocar depois de a postura estar toda feita. Através da domesticação, os nossos canários perderam este comportamento, e as fêmeas começam logo a chocar depois da primeira postura. Uma vez que vão ser postos quatro a seis ovos no intervalo de um dia, isto significa que as crias também irão nascer uns depois dos outros. Assim, normalmente, o primeiro já tem seis dias de vida quando o sexto acaba de nascer. Estes, mais atrasados, têm infelizmente poucas possibilidades de sobrevivência, pois são inferiores aos seus irmãos na luta pelos alimentos. Nesse sentido, tire, todos os dias, um ovo à fêmea, até ter terminado a postura. Só então recolocará todos os ovos de volta. Para que a sua intervenção não atrapalhe todo o processo, substitua os ovos verdadeiros por ovos artificiais. Nas primeiras horas da manhã, a canária realiza a postura e é galada pelo macho, o que assegura a fecundação dos ovos posteriores. Por isso, não é conveniente entrar na sala de criação muito cedo.
Todas as manhãs, os ovos recém postos devem ser retirados e substituídos por ovos de plástico. Os ovos recolhidos devem ser colocados em recipientes com areia, algodão ou semente esférica (sementes pontiagudas como o alpiste podem perfurar a casca). e mantidos em temperatura ambiente. Após a postura do último ovo, que normalmente é de cor mais escura, os ovos devem voltar ao ninho. Esse é considerado o primeiro dia da incubação. Com esse procedimento, os filhotes nascerão no mesmo dia e terão a
mesma oportunidade de desenvolvimento.

 

 

 

 

Incubação

No caso dos canários, é normal a fêmea chocar sozinha sem ser substituída pelo macho. Normalmente a incubação dura entre 13 e 14 dias. Nesse período o ambiente deve ser tranquilo e a manipulação da gaiola deve ser rápida, para não incomodar a canária.
Durante a incubação os ovos perdem água através da casca, que é porosa para permitir a troca de gases necessários para o desenvolvimento do embrião. Nesse processo de "respiração" o vapor expelido deve ser reposto. Por isso, a humidade relativa do ar deve ser mais elevada. As Canárias naturalmente molham suas penas, sendo conveniente colocar banheiras na gaiola
, principalmente nos 4 últimos dias da incubação. Se a fêmea não se banha, pode-se pulverizar a gaiola ou colocar esponjas húmidas no fundo da gaiola, debaixo do ninho.
O diagnóstico da fertilidade dos ovos pode ser feito a partir do 8º dia, examinando-os através de um foco de luz. Para isso é usado um aparelho, o ovoscópio, que consiste numa caixa com uma lâmpada dentro e um pequeno orifício onde o ovo é colocado. Nos ovos não fecundados é possível distinguir a clara da gema; já nos ovos fecundados isso não é possível. Com a prática pode-se distinguir os
ovos "claros" dos fecundados, que adquirem uma coloração mais intensa e fosca.

 

 

 

 

Nascimento

Na maioria dos casos o nascimento é exactamente no 13º dia de incubação. Entretanto, se o nascimento não ocorrer dentro do previsto, deve-se ter paciência e aguardar. Várias circunstâncias podem causar o atraso. Há fêmeas que não chocam e saem do ninho com frequência. A falta de humidade também pode influir. Não deite fora um ovo até pelo menos o 15º dia de choco e, mesmo assim, faça mais um teste de vitalidade.

 

 

 

 

Anilhamento

 

Para identificar as aves o sistema mais prático e seguro, consiste na colocação de anilhas nas pernas dos filhotes. A anilha é um anel de alumínio, fechada, inviolável, nas quais estão gravadas. As siglas da Federação e da Sociedade que as emitiu, o ano do nascimento, o número de ordem e o número do criador. Esta anilha é a identidade do pássaro , pois não saíra mais de sua perna, acompanhando-o por toda a vida.

Os pássaros para serem apresentados em Exposições e Concursos oficiais devem portar obrigatoriamente anilhas.
As anilhas são colocadas nos canários, com pouco dias de vida de 4 a 7, mas sempre tendo-se em conta o desenvolvimento ou que o pássaro a perca, se a manobra for realizada muito cedo.
O anilhamento é um processo delicado e as vezes é difícil, para o principiante. Deve ser feito sobre mesa forrada com papel, pois ao pegar os filhotes é comum que os mesmos defequem.
Para anilhar, toma-se o filhote com a mão esquerda, e com a direita o anel. Passa-se a anilha até o início da articulação.

Segura-se a ponta desses dedos e desloca-se a anilha através do dedo posterior, que deve estar no mesmo sentido da perna, fazendo com que o anel passe a perna.
 

Em seguida liberta-se o dedo posterior, desenganchando-o da anilha. Essa operação pode ser facilitada, untando-se os pés dos filhotes com vaselina ou outro lubrificante neutro.

 

 

 

 

Alimentação das Crias

Deve-se oferecer aos pais alimentação farta e variada. A papa de ovo não pode faltar. A variedade de sementes é importante.
Se os pais não alimentam correctamente as crias, a retirada do macho da gaiola é recomendada. Também é recomendado oferecer água fortemente açucarada e pedaços de maçã por um dia. Outro recurso é retirar o ninho com os filhotes por alguns momentos. Assim, a fêmea se alimenta e acaba alimentando os filhotes quando volta ao ninho. Caso todas as manobras para fazer com a que a fêmea trate as crias falhem, pode-se distribuir os filhotes entre as outras
fêmeas que tratam bem. Alguns criadores costumam alimentar os filhotes no bico, com alimentos pastosos. Esse procedimento não deve ser usado o tempo todo, mas nos dois ou três primeiros dias de vida é muito importante, pois permite ao criador ministrar vitaminas e medicamentos no tratamento de colibacilose (patologia responsável pela maioria das mortes dos filhotes no ninho). Esse procedimento auxilia no desenvolvimento inicial, mantendo os filhotes em condições de pedir alimentação às mães.

 

 

 

 

Separação das Crias

As ninhadas bem nutridas deixam o ninho entre 15 e 18 dias. Porém, a permanência no ninho até 20 dias é normal. Poucos dias depois, os filhotes começam a bicar os alimentos, principalmente a papa, frutas e verduras. Com um mês já quebram sementes, e podem ser separados dos pais. Uma regra prática interessante é não separar os filhotes enquanto eles apresentarem penugem na cabeça.
Normalmente, por volta do 25º dia, a fêmea inicia outro ciclo e começa a se preparar para uma nova postura. Nesse período, os pais podem depenar os filhotes, em busca de material para o novo ninho. Isso é
evitado separando-se os filhotes dos pais com a grade divisória e oferecendo ao casal material para o ninho. Os pais alimentam os filhotes pela grade, por isso devem ser colocados poleiros baixos e próximos à grade divisória dos dois lados.